Etiqueta: História

  • Maria Padilha na Umbanda e nos Terreiros + História, Identidade e Imagem de Maria Padilha

    Maria Padilha na Umbanda e nos Terreiros + História, Identidade e Imagem de Maria Padilha

    Maria Padilha é uma entidade bonita e feminina que, em vida, sagrou-se como a única esposa de Dom Pedro I de Castela, tornando-se a legítima rainha e exercendo seu poder e influência mesmo depois de morta.

    Seus pontos cantados costumam contar ou relembrar sua história e seu nome remete à uma das mais populares pombas giras, considerada o espírito de uma mulher muito bonita, branca, sedutora, e que em vida também teria sido prostituta grã-fina ou influente cortesã.

    Há livros que contam sua história como amante do Rei de Castela e, inclusive, historiadores vasculham romances e documentos à fim de construir a trajetória de Maria Padilha, que parte desde lugares desconhecidos ou que não existem mais à cidades europeias e africanas, até chegar aos terreiros brasileiros.

    Não existem provas de que Maria Padilha é o espírito da amante do rei de Castela que se manifesta nos terreiros de umbanda e candomblé, mas isso é algo que pouco importa, principalmente aos seguidores dessas religiões.

    Maria Padilha nos Terreiros

    Muitos terreiros de candomblé incluíram o culto às pombas giras, como Maria Padilha, por força de adeptos convertidos da umbanda, mas na Bahia, onde a umbanda não tem muita expressão, as “Padilhas” também estão presentes.

    A entidade afro-brasileira Maria Padilha também é conhecida por dama da madrugada, rainha da encruzilhada e senhora da magia e, alguns dizem não se tratar de uma entidade somente, mas sim de uma falange ou agrupamento de pombas giras, que também são chamadas de inzilas, pertencente ao sincretismo das religiões afro-brasileiras umbanda e da quimbanda.

    E ainda existem as sub-falanges, que são diversas, mas dentre as mais populares podemos encontrar:

    • Maria Padilha do Cruzeiro das Almas – Linha de Omolu-Obaluaê/Iansã
    • Maria Padilha da Encruzilhada – Linha de Ogum
    • Maria Padilha do Cemitério – Linha de Omolu-Obaluaê
    • Maria Padilha da Calunga – Linha de Oxum/Iemanjá
    • Maria Padilha das Sete Catacumbas / Sete Tumbas – Linha de Omolu-Obaluaê
    • Maria Padilha da Navalha – Linha de Oxum
    • Maria Padilha das Sete Saias – Linha de Oxum

    A História de Maria Padilha

    Maria Padilha é considerada a feiticeira das pombas giras e é a pomba gira mais procurada nos terreiros. Assim, vale a pena conhecer melhor a história de Maria Padilha.

    Maria Padilha pertenceu a uma família castelhana, os Padilla, e seu nome foi eternizado em brasão posteriormente a sua morte.

    Através da história da Maria Padilha, é possível perceber que ela não era uma mulher qualquer. Com fama de feiticeira, muitas fontes afirmam que ela teria se utilizado de fortes feitiços para conquistar o coração de D. Pedro I.

    Diz-se que, junto de uma árvore, Maria Padilha teria deixado um feitiço de amor feito com um espelho, através do qual o Rei se olhou e, enfeitiçado, se rendeu à paixão da jovem moça.

    A história de Maria Padilha foi circundada por esse caso de amor que acompanha a sua história até como pomba gira. D. Pedro I abandonou sua esposa Dona Blanca para viver sua história com Maria Padilha, sendo perseguido por opositores em seu Reinado.

    Depois de mandar sua esposa para a prisão – alguns dizem que por um feitiço armado por Maria Padilha – o Rei assume seu casamento até então clandestino com Maria de Padilla.

    A força da falange de Maria Padilha está ligada ao seu apego à matéria e ao seu grande amor. Maria Padilha é chefe de falange na linha de Exu, atuando como Exu-Mulher lado a lado de Exus homens.

    Poderosa em seus feitiços de amor, dentro de terreiros, onde é rainha, Maria Padilha comanda os feitiços e consola aqueles que perderam um grande amor.

    Quando perguntada pelo seu nome, quase sempre se denota como Rainha Maria Padilha, e adora festejar. Mas, em outras ocasiões, pode dar seu nome completo: Maria Padilha de Castela.

    Quem é Maria Padilha?

    Para alguns, Maria Padilha é apenas uma figura pertencente ao imaginário e conjuros de mulheres degredadas. Para outros, Maria Padilha é uma entidade da Linha de Esquerda, com a qual nem toda casa de Umbanda trabalha/va (ou pelo menos não reconhecia), pois a Umbanda é fruto do cruzamento entre Kardecismo e Catolicismo Popular, onde há uma separação entre bem e mal em reprodução da moralidade vigente no começo do século XX, época da criação da Umbanda, e cuja entidade foi considerada do mal.

    Maria Padilha e toda a Linha de Esquerda, onde seus companheiros principais são os Exús e Seu Zé Pelintra, também trabalham na Quimbanda, tida frequentemente como magia negativa.

    Maria Padilha é a maior representante das pombas giras e, muitas vezes, é vista como uma senhora de uma feminilidade demoníaca, vulgar e sexualmente indomável.

    Isso quer dizer que, além de ser chefe de terreiro, sua figura articula uma dualidade que forja em nós tanto a celebração da liberdade erótica como também o estereótipo que a considera vulgar, depravada e perigosa, digna de castigos da violência física, moral e social, como se fosse uma diaba.

    O espelho é uma das ferramentas de magia de Maria Padilha e o que anuncia a sua manifestação, o que abre a porta para a sua chegada, é uma sonora e particular gargalhada.

    Maria Padilha vem gargalhando e gingando, pra todo mundo ver sua liberdade, e ela vem fazer justiça… Maria Padilha abriu a porteira para uma falange de Moças (alcunha que as pombas giras gostam de ser chamadas): Rosa Vermelha, Rosa Caveira, Maria Navalha, Sete Saias, Maria Molambo, Maria Quitéria… e muitas mais.

    Maria Padilha, Rainha de Castela, era versada em magia e está enterrada na Capela dos Reis, cuja visitação é proibida, e sua memória está apagada, ou ao menos reduzida a amante assassina, na própria cidade onde viveu.

    Mas a conexão com esta entidade é muito conhecida nas Macumbas, Umbandas e Quimbandas. Prova disso é sua manifestação constante no Nordeste e principalmente no Rio de Janeiro, nas chamadas Macumbas Cariocas, onde fez amplo reinado como mestra e doutora em assuntos do amor mundano e do feminino.

    E vem mostrando muitas faces, pois é senhora de limiares e guarda mistérios de todas as vibrações – os reinos do Amor, da Justiça, da Lei, da Geração, da Evolução e da Fé, segundo uma das codificações da Umbanda.

    Curiosidade:

    Viviane Araújo como Maria Padilha
    Viviane Araújo como Maria Padilha

    Em 2016, durante o ensaio técnico da Acadêmicos do Salgueiro, entre os preparativos Carnaval, a atriz Viviane Araújo, rainha de bateria da escola de samba, se vestiu como Maria Padilha, causando muita repercussão e alguns episódios de intolerância religiosa nas redes sociais.

    A Imagem de Maria Padilha na Umbanda e no Candomblé

    A pomba gira Maria Padilha tem uma imagem muito semelhante tanto na Umbanda quanto no Candomblé. Em ambas as religiões, Maria Padilha é representada por uma mulher branca, de cabelos escuros, de porte altivo e poderoso.

    Aparece maquiada, com vestidos longos nas cores preto e vermelho e, muitas vezes, com coroa de rainha e tridente. Em algumas imagens, ela carrega inclusive uma capa nas mesmas cores de seu vestido.

    No entanto, ela também pode ser representada seminua, mas ainda assim demonstrando altivez e elegância. Caveiras também podem ser vistas em imagens que representam Maria Padilha, assim como representações em pele morena.

    Pomba Gira Maria Padilha, Farrapo, Mulambo e Cigana – Filhos de Maria 1° Festival Tambores de Angola

    Confira no vídeo à seguir as performances das pombas giras Maria Padilha, Maria Farrapo, Maria Mulambo e Cigana no Filhos de Maria 1º Festivel Tambores de Angola.

  • Santa Sara de Kali e sua História

    Santa Sara de Kali e sua História

    Santa Sara Kali é a padroeira dos roma, mais conhecidos como ciganos. Uma famosa imagem de Santa Sara fica na cripta da igreja de Saint Michel, onde estariam depositados seus ossos.

    Fontes variam se sua canonização consta de 1712, ou se ela se trata de uma santa regional. O fato é que, independentemente de canonização ou cultos específicos, as pessoas fazem todo tipo de pedido para Santa Sara, por sua fama de atender todos os que depositam verdadeira fé nela.

    Assim, Santa Sara ficou conhecida como a santa dos desesperados, dos ofendidos e dos desamparados. O seu nome, tal como o de Sara, no Antigo Testamento, pode ser um nome hebraico que indica uma mulher de alta sociedade, que, algumas vezes, é traduzido como “princesa” e, outras, “senhora”.

    A história mais famosa de Santa Sara de Kali a identifica como a serva de uma das três mulheres de nome Maria que estavam presentes à crucificação de Jesus.

    Diz-se que ela seria serva e parteira auxiliar de Maria, e que Jesus, por esta tê-lo trazido ao mundo, teria uma alta estima por ela.

    No entanto, outra versão da história de Santa Sara de Kali conta que ela era serva de Maria Madalena. Seu centro de culto é a cidade de Saintes-Maries-de-la-Mer, na França, onde ela teria chegado junto com Maria Jacobina, irmã de Maria, mãe de Jesus; Maria Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João; Maria Madalena; Marta; Lázaro e Maxíminio.

    Eles teriam sido jogados no mar em um barco sem remos nem provisões, e Sara teria rezado e prometido que, se chegassem a salvo em algum lugar, ela passaria o resto de seus dias com a cabeça coberta por um lenço.

    Eles, depois disso, chegaram a Saintes-Maries, onde algumas lendas dizem que foram amparados por um grupo de ciganos.

    O epíteto Kali, no nome de Santa Sara de Kali, significa “negra”, da língua indiana sânscrito, porque ela tinha a pele escura.

    Um marco importante, não só na história de Santa Sara de Kali, mas também na história dos ciganos, foi a instituição do Dia Nacional do Cigano, comemorado em 24 de maio, em homenagem à sua padroeira Santa Sara Kali, em 2006.

    Os ciganos se identificam como cristãos, no entanto, não são obrigados a seguirem uma religião, suas práticas religiosas estão condicionadas ao culto à Santa Sara Kali.

    Santa Sara, além de ser a padroeira do povo cigano, também é a santa das mulheres que querem engravidar, do bom parto e dos exilados.

    A História de Santa Sara Kali Pelo Canal Histórias Secretas

    No vídeo abaixo, Patrícia conta a historia que foi contada à ela no Sul da França por pesquisadores e por ciganas queridas que ela conheceu.

    Os clãs ciganos tem versões diferentes da historia e, no vídeo abaixo, Patrícia conta a versão da Igreja e as versões que foram contadas à ela.

    A Verdade Sobre Sarah la Kali

    Existem muitas lendas, mas aqui, a Embaixada Cigana do Brasil apresenta parte da história sobre o culto a Sara la Kali (que também é conhecida como Santa Sara Kali).

    A pesquisa, realizada por Nicolas Ramanush, foi feita sobre documentos dos Arquivos de Camargue, e relatos de pessoas da comunidade Manush de Arles.

    Confira no vídeo abaixo:

    A História de Santa Sara de Kali Pelo Templo Espiritual Maria Santíssima

    Todos os anos, o Templo Espiritual Maria Santíssima realiza uma homenagem a Santa Sara Kali. Um momento de agradecer as graças recebidas por ela e pelos Irmãos Ciganos Espirituais.

    O Templo Espiritual Maria Santíssima também tem a sua versão da história de Santa Sara de Kali e, provavelmente, é a versão mais correta e confiável, mostrando porque dela ser uma figura tão importante para os ciganos.

    Confira, abaixo, na íntegra:

    (…)

    Desde sua infância, Sara tinha muitas intuições e passava por situações nas quais utilizava sua sensibilidade.

    Ela conheceu as palavras do Cristo por meio das palestras de João e nunca parou de estudá-las, pois, acalentavam seu coração e ainda muito jovem tornou-se seguidora dele.

    Sara tinha a pele mais escura do que as dos outros e acreditavam que ela fosse uma escrava. Kali significa negra, ou seja, Sara Kali significa “Sara, a Negra”.

    Quando iniciou-se a perseguição aos cristãos, saiu para levar a mensagem do Cristo e ali, presas, acuadas foram colocadas em um barco.

    E os homens que assim o fizeram disseram que elas haviam fugido da região da Galileia; mas, na verdade elas foram açoitadas, aprisionadas, humilhadas, colocadas em um pequeno barco para desaparecer.

    Pois se eles as matassem encontrariam seus vestígios, encontrariam seus corpos. Sara, junto com Maria Salomé, Maria Jacobina, Maria Madalena e outros seguidores do Cristo, foi jogada ao mar, para que morresse de sede e de fome.

    Como ela conhecia as palavras do Cristo e as seguia, começou, juntamente com as Marias a orar com muito fervor.

    Em meio aos louvores, Sara fez a promessa de usar um lenço em homenagem ao Cristo caso fossem salvos. E naquele momento colocou o lenço em sua cabeça, pois ela não esperou chegar ao porto seguro.

    Assim, Sara Kali, sem duvidar, colocou o manto e naquele momento os ventos começaram a soprar em águas mansas e esse barco foi levado suavemente, como se estivessem sobre as nuvens, sem tempestades, sem ondas violentas.

    A fé ia abrindo os caminhos e não havia trevas naquele mar. E eles conseguiram desembarcar em uma terra chamada Petit Rhône, hoje conhecida como Saint Marie De La Mer, que significa “Santas Marias do Mar”, em homenagem a este acontecimento.

    Lá, cada um seguiu seu caminho, e Sara seguiu sua jornada. Primeiro em uma pequena gruta, onde acolhia viajantes e ciganos.

    Assim, identificou-se com a maneira livre e amorosa deste povo e viveu em função de ajudá-los e foi também acolhida por eles.

    Sua história, seus relatos nunca foram escritos, pois os ciganos não as escrevem, apenas passam-nas de pais para filhos, de geração para geração.

    Sara Kali nunca mais tirou seu véu. Uma vida de penitências, de fé e de exemplo. Ali começava a jornada de fé e de ensinar o que o Cristo havia lhes ensinado.

    Ali as Marias, cada uma buscando um caminho, porque Miguel Arcanjo havia dito individualmente à cada uma por onde deveriam seguir.

    (…)

    A História de Santa Sara de Kali Segundo a Tradição Católica

    Santa Sara Kali é a escolhida pelos ciganos para dedicarem toda a sua devoção, por acreditarem que ela foi uma cigana e escrava que enfrentou muitos desafios na vida.

    A tradição católica aponta Santa Sara Kali como a criada de uma das três Marias que seguiram com Jesus até Gólgota, local onde foi crucificado.

    E, justamente por ter acompanhado Jesus em sua dolorosa caminhada rumo à crucificação, Santa Sara Kali é tida como a padroeira dos desprotegidos.

    Conta a história cristã que Santa Sara Kali enfrentou preconceito e humilhação, mas em nenhum momento perdeu a sua fé em Jesus Cristo, muito menos abandonou os preceitos da Palavra de Deus.

    Santa Sara Kali é considerada a padroeira das mulheres grávidas e daquelas que desejam engravidar, por ter sido a responsável pelo auxílio a Maria, no momento do nascimento do menino Jesus.

    Segundo os relatos, Santa Sara Kali teve que enfrentar muitas provocações e humilhações antes de se encontrar com as três Marias que a ampararam.

    Santa Sara Kali se dedicou a evangelização e passou a usar um lenço sobre a cabeça, um gesto que simbolizava a sua decisão de se manter pura pelo resto da vida, entregando o seu coração somente a Jesus Cristo.

    E, justamente por este gesto é que é muito comum Santa Sara Kali receber lenços em sua imagem, principalmente após uma graça alcançada por algum devoto.

    Santa Sara Kali na Umbanda

    Na umbanda, Santa Sara Kali é vista como a Princesa da Beleza Negra. Ela é sincretizada com a Orixá Egunitá, que também é conhecida como Oro Iná.

    A figura associada a Santa Sara Kali na umbanda é a de uma divindade africana, com muita força, um exemplo de liberdade e que aplica a justiça divina.

    Orações à Santa Sara de Kali

    Geralmente, as preces direcionadas à Santa Sara Kali estão relacionadas para interceder em prol das mulheres grávidas e em prol daquelas mulheres que desejam engravidar e não conseguem, mas também existem diversas orações que servem para pedir riqueza e prosperidade.

    Clicando aqui, você poderá encontrar várias orações à Santa Sara.

  • Santa Justina e sua História

    Santa Justina e sua História

    Existem duas Santas Justinas: a Santa Justina e Prodoscimus de Pádua e a Santa Justina de Antioquia, que converteu Cipriano ao cristianismo.

    Neste artigo, vou falar da Santa Justina de Antióquia, cuja história se entrelaça na de Cipriano, pois se não fosse a perversidade de Cipriano em alistar um demônio para manchar as virtudes de Justina, talvez nem a teríamos conhecido.

    Justina se tornou cristã após ouvir um padre ler o evangelho e foi isso o que a salvou das tentações do demônio enviado por Cipriano, pois perante todas as tentativas do demônio de desvirtuá-la, ela fazia o Sinal da Cruz, um poderoso fechamento de corpo e símbolo de Jesus Cristo.

    Na imagem abaixo, podemos ver retratada a paixão de Justina de Antióquia:

    A Paixão de Justina e Cipriano de Antióquia
    A Paixão de Justina e Cipriano de Antióquia

    A imagem acima mostra Justina e Cipriano na cuba de ebulição que o conde Eutolmius ordenou para eles.

    Cipriano usa uma mitra bastante inadequada. À direita, o homem barbudo de manto e chapéu é, provavelmente, o conde.

    O homem de verde atacado por chamas na extrema direita é o sacerdote pagão Atanásio, que pensou poder mostrar o poder dos deuses entrando no próprio tanque, mas assim que ele se aproximou do fogo, ele saltou e o destruiu.

    O homem de chapéu vermelho, conversando com Eutolmius, deve ser seu primo Terentius.

    Vendo que nem espancamentos nem fogo poderiam convencer os dois cristãos a negar Jesus Cristo, ele aconselhou o Conde a enviá-los à César para um julgamento.

    Existem poucos retratos de Justina. Um deles é esse abaixo de origem ortodoxa oriental:

    Santos Cipriano e Justina de Antióquia
    Santos Cipriano e Justina de Antióquia

    A cruz em sua mão refere-se aos episódios em que ela fez o sinal da cruz como uma defesa contra os insultos dos demônios.

    Neste retrato, Justina é combinada com Cipriano, que é representado como um homem velho em vestimentas episcopais.

    O dia de Santa Justina de Antióquia é celebrado em 26 de setembro, juntamente com São Cipriano.

    O fato mais marcante sobre Justina realmente foi a sua fé inabalável em Jesus Cristo e como foi torturada por isso pelo feiticeiro Cipriano que tentou levá-la à loucura com suas artes mágicas.

    Na imagem abaixo, você pode ver uma representação de Cipriano de Antioquia tramando com o demônio contra Justina, antes de sua conversão à fé cristã, em iluminura de um manuscrito do século XIV:

    Cipriano de Antioquia tramando com o demônio contra Justina
    Cipriano de Antioquia tramando com o demônio contra Justina

    Justina converteu-se ao cristianismo, dedicando sua vida às orações, consagrando e preservando sua virgindade.

    Em determinado momento, um jovem rico chamado Áglede, que vivia apenas para desfrutar dos prazeres carnais, ficou obcecado por ela.

    À assediava na rua, tentou arrastá-la para sua casa para estuprá-la e, por fim, tentou pedir a mão dela em casamento.

    Porém, Justina não aceitou casar-se. E, foi por causa da fascinação e obsessão desse jovem que Cipriano investiu a tentação demoníaca sobre Justina.

    Um dos métodos de ataque utilizado por Cipriano foi um pó que despertaria luxúria em Justina, mas também ofereceu sacrifícios aos demônios e empregou diversas obras malignas.

    Graças à Deus, esses homens não obtiveram o resultado desejado com suas perversidades e a forma como Justina se defendeu, utilizando orações à Deus e o sinal da cruz, é um grande exemplo para as mulheres de como agir em casos de assédio.

    Justina foi tão boa como serva fiel de Jesus Cristo que, além de conseguir converter um dos mais malditos feiticeiros da região na época, que é Cipriano, ainda produziu várias obras cristãs com ele.

    Ela ficou à frente de um grupo de muitas virgens, o que certamente as salvou uma vida pecaminosa, e Cipriano enviava muitas cartas aos mártires fortalecendo-os no combate.

    Essas obras cristãs foram grandiosas o suficiente para chegar aos ouvidos do imperado Diocleciano, o responsável por persegui-los e torturá-los.

    Justina foi chicoteada e Cipriano açoitado com pentes de ferro, mas não cederam. Irritado com a resistência, Diocleciano ainda lançou Cipriano e Justina numa caldeira fervente de banha e cera, como você pode ver na primeira imagem desse artigo.

    Mas Diocleciano conseguiu a morte de Justina e Cipriano apenas decapitando-os, o que os transformou em mártires.

    Obs.: O nome de Justina vem de justitia, que significa “justiça”.

    Se não fosse a pregação do diácono, que entrou no coração de Justina e rapidamente começou a dar frutos, desenraizando os espinhos da incredulidade, e se a própria Justina não quisesse ser melhor e mais completamente instruída na fé deste diácono, toda a sua história teria sido diferente.

    Ela não teria mostrado-nos como a oração e o Sinal da Cruz são fortes contra demônios, luxúrias e assediadores e nem teria tirado Cipriano da vida maligna que tinha.

    Tanto Justina quanto seu pai Edesius e sua mãe Cledonia receberam o santo batismo de um bispo local e a comunhão dos santos mistérios.

    Quanto à Justina, ela lutou bravamente na manutenção dos mandamentos de Deus, amando a Cristo Esposo, ela serviu-o com fervorosas orações, na virgindade e castidade, jejum e grande abstinência.

    Nenhum homem conseguiu corrompê-la, tampouco um demônio. Então, façamos como Justina e ofereçamos orações ao Senhor todas as noites e também apossando do Sinal da Cruz para fechar nossos corpos para qualquer que seja o assédio.

    Ao ser derrotado por sua oração, o demônio fugiu dela com vergonha e, novamente, veio uma calma no corpo de Justina e no seu coração.

    Os efeitos do feitiço de Cipriano foram extintos, a batalha cessou, o sangue a ferver foi acalmado.

    Justina glorificou a Deus e cantou uma canção de vitória. Mas um segundo demônio foi enviado por Cipriano para atentar Justina, sendo banido vergonhosamente novamente por ela, pois, desta vez, ela havia domesticado as paixões da sua carne com abstinência e jejum (comia apenas pão e água).

    Justina diz que a recompensa para aqueles que vivem em castidade é grande e além das palavras, e que é muito estranho que as pessoas não nos dizem a respeito disso.

    E, realmente, não há tesouro tão grande como a pureza angelical. Um fato impressionante das tentativas do demônio em desvirtuar Justina foi quando, desejando consolar Cipriano, tentou ainda um outro compromisso: ele assumiu a forma de Justina e foi a Aglaias com a esperança de que, depois de ter levado a Justina “real”, o jovem poderia satisfazer seu desejo e, portanto, não seria a fraqueza dos demônios revelada, nem seria Cipriano confundido.

    E eis que, quando o demônio foi até Aglaias sob a forma de Justina, o jovem pulou de alegria indescritível, correu para a donzela falsa, abraçou-a e começou a beijá-la, dizendo:

    “Como é bom que você veio para mim, justa Justina!

    Mas mal o jovem pronunciou a palavra “Justina” que o demônio desapareceu imediatamente, sendo incapaz de suportar até mesmo o nome de Justina!

    O jovem ficou com muito medo e, correndo para Cipriano, disse-lhe o que tinha acontecido.

    Então, Cipriano, por sua magia, deu-lhe a forma de um pássaro e, depois de lhe permitir voar no ar, mandou-o para a casa de Justina, aconselhando-o a voar em seu quarto pela janela.

    Sendo carregado por um demónio no ar, Aglaias voou sobre o telhado. Nesse momento, Justina passou a olhar através da janela de seu quarto.

    Vendo-a, o demônio deixou Aglaias e fugiu. Ao mesmo tempo, a aparência de pássaro de Aglaias também desapareceu e o jovem caiu.

    Ele agarrou a borda do telhado com as mãos e segurou-a, pendurando-se ali, e se ele não tivesse sido descido até o chão com a oração de Justina, o irreverente teria caído e morrido.

    Assim, não tendo conseguido nada, o jovem retornou à Cipriano e contou-lhe a sua desgraça.

    Vendo-se envergonhado, Cipriano ficou muito triste e pensou em ir à Justina, confiando no poder da sua magia.

    Ele se transformou em um pássaro, mas não conseguiu ultrapassar a porta da casa de Justina antes de sua falsa aparência desaparecer e voltou com tristeza.

    Após isso, Cipriano começou a se vingar, e com a sua magia, trouxe desgraças diversas sobre a casa de Justina e nas casas de todos os seus parentes, vizinhos e amigos, assim como uma vez o diabo fez com o Jó justo (Jó 1: 15-19, 02:07).

    Ele matou os animais, ele derrubou os seus escravos com pragas e, dessa forma, ele trouxe a dor extrema.

    Finalmente, ele abateu com a doença a própria Justina, de modo que ela se deitou na cama e sua mãe chorou sobre ela.

    Justina, porém, consolou a mãe com as palavras do Profeta David:

    “Eu não morrerei, mas viverei, e vou contar as obras do Senhor” (Salmo 117:17).


    Não só a Justina e seus parentes, mas também a toda a cidade, por permissão de Deus, Cipriano trouxe infelicidade, como resultado de sua fúria indomável e sua grande vergonha.

    Pragas apareceram nos animais e várias doenças entre os homens, e a propagação do boato, através da ação dos demônios, que o grande feiticeiro Cipriano ia punir a cidade por conta da oposição de Justina para com ele.

    Em seguida, os maís honráveis cidadãos foram até Justina cheios de raiva e tentaram persuadi-la a não irritar Cipriano por mais tempo, e se tornar a esposa de Aglaias, a fim de escapar de ainda mais desgraças para toda a cidade por causa dela.

    Mas ela acalmou-os dizendo que em breve todas as desgraças que tinham sido trazidas com a ajuda dos demônios de Cipriano cessariam.

    E assim aconteceu. Quando Justina orou fervorosamente à Deus, imediatamente todos os ataques demoníacos sumiram, todos foram curados das pragas e se recuperaram de suas doenças.

    Quando essa mudança ocorreu, o povo de Cristo o glorificou e zombaram de Cipriano feiticeiro e de sua astúcia, e ele de vergonha não podia mostrar-se entre os homens e evitou reunir-se mesmo com amigos.

    Este fato impressionante não só mostra como os demônios são mentirosos e vigaristas como a sociedade, desde aquele tempo, é capaz de culpar as mulheres pelas atrocidades e barbáries dos homens.

    Mas, mais importante que isso, foi o trabalho de Justina como diaconisa, onde tratava do serviço do templo e cuidava dos pobres, obteve um convento e ainda se tornou abadessa de uma comunidade de mulheres religiosas.

    E ela fez tudo isso mesmo sendo acusada por muitos de ser hostil, de estar perturbando as pessoas, enganando-as e conduzindo-as aos seus passos ao mesmo tempo que pediam a sua morte.

    Ela foi presa e foi espancada na boca e nos olhos. Quando foi levada, juntamente com Cipriano, para o local da execução, Cipriano pediu um pouco de tempo para a oração, para que Justina pudesse ser executada primeiro, ele temia que Justina se assustasse com a visão de sua morte.

    Um prepotente de memória seletiva. Teria ele esquecido os demônios que fizera Justina enfrentar por tantas vezes e que enfrentou com digníssima coragem?

    Além de suas artimanhas vingativas lançadas sobre ela, sua família, seus amigos, vizinhos e toda a cidade, tendo ela enfrentado não somente a doença que ele lhe causou, mas também toda a população que queria obrigá-la a casar para não sofrerem por causa de sua malevolência?

    Acredito que, neste momento, Cipriano apenas quis esconder seu medo da morte tentando ser cavalheiro com Justina, pois sabia muito bem dos seus débitos com Deus.

    Ela, por sua vez, curvou a cabeça alegremente sob a espada que a decapitaria e partiu para seu Esposo, Cristo.

    Quem enterrou o corpo de Justina, juntamente com o corpo de Cipriano, foi uma certa mulher virtuosa e santa, cujo nome era Rufina, uma parente de Cláudio César.