Exu Tiriri e Maria Padilha são entidades festejadas juntas e, muitas vezes, evocadas juntas. Abaixo, você irá conferir o trecho de uma festa de Exu Tiriri e Maria Padilha do Cabaré e vai saber mais sobre o Exu Tiriri, suas falanges, histórias e pontos cantados.
Festa de Exu Tiriri e Maria Padilha do Cabaré
Um grandioso mistério de Deus é o Mistério Exu Tiriri, originado no Trono da esquerda da Lei, trabalhando na vibração de Ogum, portanto sua vibração original é a da vitalização da irradiação da Lei e da Ordem.
Exu Tiriri existem muitos, todos com suas divisões de acordo com a sua atuação. No entanto, isso não quer dizer que ele não atue em outros campos, pois assim como existem exus que recebem suas oferendas em encruzilhadas, principalmente as de terras, o mesmo pode também receber em estradas de ferro, podem solicitar suas oferendas em outros lugares, tais como pedreiras, cachoeiras, campo aberto, dependendo da sua necessidade de trabalho, pois alguns exus carregam consigo o mistério sétuplo.
Exu trabalha com a natureza e a natureza está em todo o lugar. O Mistério do Exu Tiriri atua nas sete irradiações divinas, da mesma forma que os Sete Mistérios (Sete Catacumbas, Sete Caveiras, Sete Encruzilhadas, Sete Aços, Sete Trevas, Sete Fogareiro etc.) e, portanto, atua vitalizando a ordem e a retidão nos sete sentidos da vida, abrindo os caminhos daqueles que são merecedores dessa dádiva, podendo realizam curas de todos os males, vindo a combater todas as formas de vingança.
Seu poder é sobre a solidão, esperança, planejamento, meditação e saúde. Os Guardiões Tiriri atuam nas vibrações dos verbos-função “quebrador”, “devolvedor” e “retornador”, assim como são grandes especialistas em demandas e quebra de magias negras.
Tiriri é considerado o “Senhor da vidência” ou aquele que vê mais além.
Exu Tiriri da Calunga
O Guardião Tiriri da Calunga é de grande força, atua em despachar trabalhos nas encruzilhadas, matas, rios, cemitérios etc.
Sobre suas características físicas, apresenta-se com grandes traços orientais, anda de preto, com um gato preto ou um gato sianês, possui cabelos lisos como de japonês preso como rabo de cavalo, possui uma capa preta e vermelha, usa bengala ou um bastão na sua mão.
Ele vem na Linha de Oxalá (Conforme alguns estudiosos).
Exu Tiriri das 7 Encruzilhadas
Alguns estudioso afirmam que Exu Tiriri das 7 Encruzilhadas, em uma de suas “lendas”, viveu na Irlanda, no século XVI, como mero camponês.
Era moço formoso e humilde, mas cometeu o grave pecado de se apaixonar por uma bela jovem, filha do senhor feudal do condado.
Seu amor impossível foi causa de sua desgraça, levando-o a masmorra por vários anos, onde convivia com a fome, tortura e todo o tipo de degradação humana.
Sua convivência com a dor, a peste, a cólera, a lepra, a tuberculose e outros males o fez, ao mesmo tempo, caridoso e revoltado, por tanta dor e sofrimento.
Hoje, é um exu que vem na Linha da Magia Branca trabalhar para as curas de todos os males e combater todas as formas de vingança.
A História de Exu Tiriri
Aconteceu em Portugal, final do século dezenove. Passam das 23 horas quando Bartolomeu Custódio bate à porta de seu primo e é atendido pelo rapaz que, visivelmente, foi acordado pelas insistentes batidas.
– Primo, preciso urgente de ti!
Fernando manda-o entrar deixando claro estar contrariado com a visita repentina em tão tardio horário.
– Nem me fale Bartolomeu! São réis o que deseja. Não é?
O homem baixa a cabeça e responde num fio de voz:
– Perdi mais de mil no carteado do Barão, senão pagar, ele ameaçou acabar com minha família.
– Mil? Estás louco? Não faz um mês que paguei sua divida de quinhentos e já vens aqui pedir-me mais de mil? Onde vais parar, ou melhor, aonde vou eu parar com tantos réis que se vão ladeira abaixo? Achas que por ter tido sorte na vida tenho que carregá-lo nas costas? A ti, tua família, teu maldito vicio?
Bartolomeu ouve tudo sem levantar os olhos.
– Primo, só tenho a ti para recorrer. O que será de minha mulher e meus filhos? Juro-te que nunca mais jogarei um só conto em nada!
O rapaz está descontrolado e replica aos gritos:
– Já ouvi essa ladainha muitas vezes e não vou mais cair nessa conversa. Vá ao Barão e diga que não tem, não conseguiu, e ele que espere. Ainda ontem a pobre de tua mulher veio até aqui pedir-me comida. Crês nisso? Tive que dar comida a tua família. Enquanto tu espezinha-me com dívidas de jogatina. Olhe para ti! Estás em estado lamentável, além de cheirar a vinho à distância. Saia já de minha casa.
Dirige-se para a porta e a abre com violência. Bartolomeu levanta-se lentamente, de seus olhos caem lágrimas, é duro ter que ouvir tudo que está ouvindo, apesar de ser a mais pura verdade.
Faz ainda uma última tentativa.
– Primo, pelos teus filhos, ajuda-me!
Fernando continua parado à porta apontando a rua.
– Fora daqui, vagabundo! Nunca mais me apareça, porco imundo!
Sem mais nada a dizer, o homem retira-se lentamente ouvindo o baque violento da porta atrás de si. Caminha tropegamente enquanto as lágrimas embaçam sua visão.
Sabe que fez tudo errado. Sempre! Foi mulherengo, bêbado, viciado em jogos. Tem a exata noção do péssimo pai e marido que é.
Seu primo tem toda a razão em humilhá-lo. Sem perceber, depois de muito caminhar, está sobre uma ponte.
Talvez seja essa a única saída. Faz uma pequena prece e atira-se nas águas profundas do rio. O espírito de Bartolomeu Custódio durante anos perambulou por sendas escuras e tortuosas.
Passado um longo tempo e depois de rever erros e acertos de vidas anteriores, foi amparado por mentores que o encaminharam para a labuta do resgate cármico.
Hoje, trabalhador de nossos terreiros, é conhecido como o grande Exu Tiriri, elegante, educado e sempre com um profundo respeito para com seus consulentes.
É representado pela imagem de um homem sério, que veste preto e vermelho, usa capa preta, bengala e chapéu.
Já Maria Padilha é representada pela imagem de uma mulher bonita, também elegante, que usa vestido preto e carrega consigo a imagem do cruzeiro.
O que é Exu?
Exú é o 1º nascido da existência e, como tal, o símbolo do elemento procriado. Mensageiro dos orixás, elemento de ligação entre as divindades e os homens, a um tempo mais próximo do mundo terreno e mais perto do elevadíssimo espaço celeste por onde transita Òrúnmìlà, é um orixá, é sempre a primeira divindade a receber as oferendas, justamente para que atue como um aliado e não como um rival que perturbe os procedimentos místicos desenvolvidos durante os rituais.
Coerente com seu lugar mítico privilegiado, é ele que abre esse “corpus mitopoético”. Princípio dinâmico e princípio da existência individualizada, Exu não pode ser isolado ou classificado em nenhuma das categorias.
Ele é como o axé (que ele representa e transporta), participa forçosamente de tudo. Segundo Ifá, cada um tem seu próprio exu e seu próprio Olorún em seu corpo.
O nome de exu é conhecido, invocado e cultuado junto ao orixá. E é Ifá quem revela e permite-nos sabê-lo.
É meia noite em ponto e o galo cantou É meia noite em ponto e o galo cantou Cantou pra anunciar que Tiriri chegou Cantou pra anunciar que Tiriri chegou
Ele vem da calunga De capa e cartola E tridente na mão
Esse Exú de fé É quem nos trás o axé E nos dá proteção
Ele é Exú Odara E vem nos ajudar Com seu punhal ele fura Ele corta demanda, ele salva, ele cura, exú é mojubá
Laroyê Exú Exú a mojuba Eu perguntei a ele o que é Exú Ele veio me falar Laroyê Exú Exú a mojuba Traz sua falange Exú Tiriri para trabalhar
Exú é caminho, é energia, é vida, é determinação É cumpridor da lei, Exú é esperto, Exú é guardião Exú é trabalho, é alegria veloz, Exú é viver É a magia, é o encanto É o fogo no sangue, na veia vibrando, Exú é lazer
Laroyê Exú Exú a mojuba Traz sua falange Exú Tiriri para trabalhar Laroyê Exú Exú a mojuba Traz sua falange Exú Tiriri para trabalhar
Vem seu tranca-ruas, Maria Padilha e Exú Marabô Sete encruzilhadas, seu Zé Pilintra aqui chegou Maria Mulambo, Maria Farrapo e Dona Figueira Dona Sete Saias, Pombo-gira Menina e Rosa Vermelha Sete catacumbas, Exú caveira firma o ponto aqui E o Exú Capa Preta anunciou a festa do Exú Tiriri
É meia noite em ponto e o galo cantou É meia noite em ponto e o galo cantou Cantou pra anunciar que Tiriri chegou Cantou pra anunciar que Tiriri chegou
Abaixo, você vai conferir alguns pontos cantados de Maria Padilha e Exu Caveira, guardiões da calunga, e também o registro de uma festa dedicada à ambos ocorrida em uma tenda espírita.
Ponto Cantado de Maria Padilha e Exu Caveira – Não Entro Mais no Cemitério (Guardiões da Calunga)
Letra do Ponto Cantado:
Caminhando na calunga
Uma voz me chamou
Era uma linda mulher
Exu Maria Padilha, rainha de Lucifer
Ela me diz: Amigo que passa aqui,
Nao é sua morada, este lugar nao é pra ti
Hoje estou aqui pra calentar
Sou a bruxa da noite, a rainha de sabá
Exu Caveira mandou já avisar
Nao entra mais no cemitério
Se nao é alma, vai ficar
Exu Caveira é, Exu Caveira é
Nao entro mais no cemitério
Sem o permisso de você (bis)
4 Pontos Cantados de Exu Caveira e Maria Padilha – Cria de Ogum
1° Festa de Pomba Gira – Maria Padilha e Exu Caveira Negra – 28.08.21
Na Tenda Espírita Oxóssi Cachoeira e seus Zeladores, de Pai Alan de Oxum e Pai Adilson de Ogum, ocorreu a 1° Festa de Pomba Gira – Maria Padilha e Exu Caveira Negra de Mãe Luana de Inhasa e Pai Felipe de Omulu.
ponto de Exu caveira e Maria Padilha 🔱 letra ⬇️ o meu pai era quimbandeiro e a minha mãe da kimbanda era quando morreram eu fui nos dois enterros de olhos fechados acendi uma vela fiz um pedido para as almas descerem para um lugar aonde eu desconhecia O último pedido do meu pai João e o último adeus da minha mãe Maria (bis) quando eu me fui ainda era novo se fosse vivo não acreditaria encontrei o meu pai como João caveira e afinada minha mãe como Maria Padilha se o mundo é pequeno daqui do outro lado encontrei a minha família acende um toco de vela vermelho e preto salve João caveira e Maria Padilha ♥️ #salveoponto#exujoaocaveira#pombagiramariapadilha#joaocaveira#mariapadilha#pontodejoaocaveira#pontodemariapadilha#pontodefundamento#pontodequimbanda#loroyepombogira#laroyeexuamojuba
Maria Padilha e Tranca Rua são entidades bonitas representadas por um homem e uma mulher brancos, de cabelos escuros e roupas clássicas e requintadas, sendo associados também à tridentes, cetros, crânios, cruzes, joias e à riqueza.
Maria Padilha é uma entidade feminina que, tradicionalmente, usa vestidos longos e pretos com detalhes dourados; e Tranca Rua é uma entidade masculina que, tradicionalmente, usa cartola e capa preta; ambos sempre muito chiques e sedutores.
Festa de Maria Padilha e Exú Tranca Ruas
No vídeo abaixo, você pode conferir uma festa de Maria Padilha e Tranca Rua realizada em 19.09.2009. Neste vídeo, você poderá conferir a incorporação de ambas as entidades e como elas se comportam no médium.
Uma Pequena História de Tranca Rua das Almas, Maria Padilha das Almas e Pomba Gira Menina
Existem muitas lendas envolvendo exus e pombas giras, principalmente se tratando de Exú Tranca Rua, de Maria Padilha e de Pomba Gira Menina.
Tem lendas em que Tranca Rua se chamava Geraldo, outras onde ele se chamava Hélio, e por aí vai… Aqui fica o conto de um casal de Exús, Senhor Tranca Rua das Almas e Senhora Maria Padilha das Almas, em suas últimas reencarnações aqui na Terra.
Essa história foi contada pelo próprio Tranca Rua!
Em meados do século XVI, em uma pequena cidadela da região da Galícia, Espanha, em uma cidadezinha chamada Salvaterra, residia, em uma mansão, um senhor alto, distinto, de finos tratos, médico e religioso, cristão católico assumido, que se chamava Don Ramón.
Era um senhor muito popular na pequena cidade e conhecido em toda a região por ser um médico muito dedicado, e especialista em diversas ramificações da medicina.
Era uma espécie de “faz tudo”. Atendia seus pacientes em seu consultório, dentro de sua mansão. Sua religiosidade, com o tempo, veio a lhe falar mais alto e Ramón entrou para Igreja Católica, chegando ao posto de seminarista a padre sacerdotal, mas, mesmo sendo sacerdote e padre, Ramón nunca deixava de exercer a medicina, chegando a atender doentes gratuitamente e a fazer muitas curas, por caridade.
No entanto, uma senhora distinta, de origem cigana, feiticeira e magista, também prostituta, chamada Teresa, mas popularmente conhecida como Maria Padilha, chegava em Salvaterra, vinda de Portugal.
Habitava em uma bela casa e atendia seus clientes em sua morada, oferecendo serviços de magia e, também, de mulher, porém Teresa do Rosário, ou melhor, Maria Padilha, nutria um forte arrependimento por causa da vida que a mesma levava…
Maria procurava o consolo para suas dores indo na Igreja, quando ela estava vazia, para rezar o terço e se confessar.
Ramón começou a se sentir atraído pela bela moça que, escondida, rezava nos arredores da Igreja. Um dia, o arcebispo da cidade a viu rezando e se sentiu ultrajado por causa da fama de Padilha, e o mesmo a expulsou da Igreja a gritos, lhe ofendendo de vagabunda, de vadia, de mulher da vida, de bruxa, de excomungada…
Neste momento, Ramón presencia o ato e toma satisfações com o arcebispo. Fortemente indignado com a atitude do bispo, Ramón decide abandonar a batina, abandonar o clero, abandonar a Igreja, e sai correndo a procura de Maria Padilha.
Os dois, então, começam a manter uma amizade muito forte… e Ramón se apaixona fortemente por Padilha.
Revoltado com a posição da Igreja e dos padres, que condenavam e perseguiam Teresa, Ramón começa a nutrir ódio e repulsa pela Igreja Católica e pelo Cristianismo.
Ramón queria, porque queria chamar a atenção de Padilha… por paixão a ela, ele começa a estudar a fundo sobre magia, feitiçaria, bruxaria e ocultismo.
Autodidata, ele mesmo se inicia no que ele passou a chamar de sua própria Ordem de Alta Magia! Ramón, através de seus experimentos ocultistas e espirituais, com o tempo, começa a desenvolver-se com exímios dons de cura, de desobsessão, de exorcismos, e também de invocações e evocações de anjos caídos, fazendo a se tornar, com o tempo, em mestre luciferiano.
A paixão por Padilha o cegava, ele queria que Maria fosse apenas sua mulher… mas, ela era mulher de vários homens…
Um dia, Padilha ficou muito doente e foi buscar ajuda ao mestre Don Ramón. Ele a mantém em tratamento, em sua mansão e, com isso, os dois ficam muito íntimos.
Ele pede para ela ser sua esposa e companheira e, Maria Teresa do Rosário Padilha se sentindo só, debilitada e sem rumo, aceita o pedido!
Os dois se casam, finalmente, e fazem um elo um com o outro de fidelidade. Com anos de casamento, Padilha dá a luz a filha única dos dois, a qual ambos a batizam de Alice.
Ramón era encantado com sua filhinha, e a chamava de “Menina de seus olhos”… Ramón, muito conservador, educava e disciplinava sua menina com muita rigidez.
A menina crescia e se tornava, a cada dia que passava, mais formosa, mais bela e encantadora. Maria Padilha era o contrário de Ramón, fazia os caprichos de sua menina, e a aconselhava a ser livre e solta.
Quando a menina Alice completou 15 anos, conheceu um rapaz que a cortejou e a pediu em namoro. Só que esse rapaz, que tinha prestado juramento à Ramón e à Teresa de bem cuidar da menina, a levou para passear em um cemitério, de madrugada, e a estuprou e depois a assassinou.
Ramón e Maria Padilha procuraram por sua filha por longos dias, até descobrirem seu cadáver nú, dentro do cemitério.
Com muito ódio e sede de justiça, os dois juram vingança ao rapaz que cometera a desgraça com a menina Alice!
Os dois encontram o rapaz, e o levam para o mesmo cemitério, onde o esquartejam vivo, e o entregam para Lúcifer!
Com o decorrer do tempo, com ódio da Igreja Católica e do Cristianismo, e com dor no coração pela perca de sua filha, Don Ramón e Maria Teresa do Rosário Padilha se tornam anticristos, e começam a praticar rituais de extremo satanismo, oferecendo auxílio a muitas pessoas com magia negra, feitiços para demanda, amarrações, para riqueza e prosperidade, para saúde e libertação espiritual…
Mas, Padilha acabou rompendo com o elo de fidelidade com seu esposo Don Ramón e, em segredo, o traía com vários homens… até Ramón descobrir.
Quando Ramón descobriu os adultérios de sua amada, a assassinou com sete punhais e guardou o seu cadáver no quarto deles, dentro da mansão.
Ramón, por dias, contemplava o cadáver de sua amada e lamentava a morte de sua filha… então, ele vende sua alma ao diabo para ter Maria de volta em seus braços.
Maria, então, recobra seus sentidos e os dois convivem juntos por sete semanas, até o momento em que Maria definitivamente vem a falecer.
Ramón a enterra no jardim de sua mansão e faz para ela uma sepultura com um lindo cruzeiro e com um tapete de rosas vermelhas.
A tristeza, o tédio, o lamento, tomam conta de Don Ramón… e a Igreja Católica, liderada pelo mesmo arcebispo que vilipendiou sua amada Padilha, começa uma perseguição e uma inquisição contra Ramón.
Ramón não podia sair de sua mansão, que era ultrajado, apedrejado, e cuspido pelos cristãos católicos fanáticos.
Até que ele se rebela contra essa situação e decide enfrentar seus perseguidores. No meio de uma procissão, em dia 28 de agosto, Ramón ataca o arcebispo e os cristãos católicos a facadas e é contido pela procissão.
Os cristãos golpeiam Ramón a chutes e pontapés, e o matam com pedradas, no meio de uma grande rua. Muito sangue rolou das veias de Don Ramón nos ladrilhos da rua, na qual foi morto pelos cristãos.
Era dia de procissão de São Bartolomeu. Os cristãos, não contentes com a morte de Ramón, ateiam fogo em sua mansão, acabando com todas as memórias da família Ramón, Padilha e Alice!
Hoje, Don Ramón trabalha no plano espiritual na roupagem do Exú Tranca Rua das Almas, sua companheira Maria Teresa do Rosário Padilha trabalha na roupagem de Maria Padilha das Almas, e sua filha Alice trabalha na roupagem de Pomba Gira Menina!
Bem, essa é uma das histórias de Seu Tranca Rua, mas existem outras histórias, outras lendas a respeito dele, de Padilha e de Menina.
O certo é que a cidade de Salvaterra existe na Espanha e no dia 28 de agosto é comemorado o dia de San Ramón de Salvaterra, um santo que ficou popular entre os moradores da região, que até hoje, quando invocado, atende seus pedidos.
E, curiosamente, dia 28 de agosto, nos terreiros de Umbanda e de Quimbanda aqui no Brasil, costumam, neste dia, fazer mesa e homenagear ao Exú Tranca Rua das Almas, assim como para São Cipriano.
Agosto, que popularmente é conhecido como o mês do desgosto, na verdade é um mês carregado de axé, embora sempre um pouco pesado.
Dia 16 de Agosto é dia de São Roque e de Obaluaê; dia 24 de Agosto é dia de São Bartolomeu e de Oxumaré; e dia 28 de Agosto é dia de San Ramón de Salvaterra na Espanha e, aqui no Brasil, é dia de Tranca Rua e até mesmo de São Cipriano.
Poema de Maria Padilha e Tranca Rua
Em uma noite serena,
vi duas luzes passar,
senti uma proteção plena,
como uma energia a me abençoar.
De um lado um homem poderoso, de outro uma linda mulher a gargalhar,
ele forte mas generoso,
e ela encantadora em seu dançar.
Senhor Tranca Ruas e Dona Maria Padilha,
vieram aqui me estender as mãos,
e assim nunca cairei nas armadilhas,
desses obsessores que se disfarçam de irmãos.
A luz desse Exú e dessa Pombo Gira,
brilham junto com nosso Pai Oxalá,
retirem do meu caminho a inveja e a mentira,
iluminando e protegendo sempre nosso Gongá.
Quem são Maria Padilha e Tranca Rua na Umbanda
Quando falamos em Umbanda e Gira de Exus, logo vem em nossas mentes duas entidades extremamente conhecidas, duas forças da esquerda, dois caridosos mensageiros de Deus, duas divindades de luz máxima, e essas divindades são o Exu Tranca Ruas e a Pomba Gira Maria Padilha.
Maria Padilha e Tranca Ruas são chefes de falange e, sendo assim, diversos Exus e Pombas Giras que trabalham nessas falanges, chefiadas por eles, levam o mesmo nome do chefe geral da falange, ou seja, poderemos encontrar diversos Exus com o nome de Tranca Ruas, assim como diversas Pombas Giras com nome de Maria Padilha, sendo diferenciados apenas pela linha, irradiação ou função de atuação.
Para esclarecer isso, vamos imaginar que estamos em um terreiro e, nesse terreiro, se encontram dois médiuns desenvolvidos mediunicamente, estando os dois preparados para trabalho de incorporação.
Agora, imaginemos que estamos em uma Gira de Exu e os dois médiuns estão incorporados com uma entidade de luz cujo nome é Tranca Ruas.
Nesse exemplo, vamos prestar atenção em detalhes, como o ponto riscado deles, ou mesmo poderemos pedir que falem o nome e a função de atuação.
Nesse caso, observaremos que um poderá dizer, por exemplo, Tranca Ruas das Almas e, o outro, Tranca Ruas da Encruzilhada.
E aí, certamente já entendemos a diferença, pois um atua com as forças das Almas e o outro com as forças da Encruza.
E da mesma maneira acontece com a Pomba Gira Maria Padilha, onde concluímos que não há nada de errado em ter duas ou mais médiuns trabalhando com essa divindade em um mesmo terreiro, na mesma hora.
No entanto, da mesma forma como tudo pode funcionar muito bem e ser muito organizado, como acabamos de exemplificar, também é possível, e não só possível como muito fácil, encontrarmos em terreiros sem nenhum entendimento sobre a religião Umbanda, zeladores e filhos de santo se dizendo estar incorporados com Senhor Tranca Ruas e a Pomba Gira Maria Padilha, dando consulta a pessoas muito mais desavisadas ainda, falando sobre magias inexistentes, amarrações, oferendas sem nexo, despachos enormes sem sentido e, muito pior que tudo isso, usando bebidas alcoólicas sem nenhuma necessidade, fumando grandes quantidades de cigarros, cigarrilhas, charutos, enfim, tudo em um grau de extremo, que não conduz com a realidade da entidade.
Maria Padilha e Tranca Rua, sendo chefes de falange, coordenam uma legião de exus e pombas giras, que trabalham em prol da caridade, resgatando espíritos perdidos ou reencaminhando espíritos que foram levados para serem escravizados nas trevas.
No entanto, vemos em terreiros, centros, casas de Umbanda, médiuns mistificando, inventando trabalhos em encruzas, cemitérios, despachos enormes, oferendas exorbitantes, sem o menor sentido, sem a menor noção e sem o menor nexo, fazendo com que essas oferendas só sirvam para energizar Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, e se utilizando do nome das entidades Tranca Ruas e Maria Padilha, assim como é feito com tantas outras entidades de luz.
Devemos respeitar extremamente todas as entidades de luz, e isso não se faz diferente com a bela Maria Padilha nem com o mestre Tranca Ruas, que são entidades maravilhosas, de muita luz e de muita força, mas só fazem o bem.
Vem Seu Tranca Rua e Maria Padilha
No vídeo abaixo, você poderá conferir um ponto cantado da Umbanda intitulado Festa do Exu Tiriri. Esse ponto cantado, dedicado principalmente ao Exu Tiriri, também é dedicado aos exus, de uma forma geral, e à toda falange do Exu Tiriri, que inclui Seu Tranca Rua e Maria Padilha.
É uma cantiga perfeita, bonita, completa que saúda os exus e as pombas giras, sendo considerado um dos melhores pontos cantados.
Confira, à seguir:
Letra do Ponto:
É meia noite em ponto e o galo cantou É meia noite em ponto e o galo cantou Cantou pra anunciar que Tiriri chegou Cantou pra anunciar que Tiriri chegou
Ele vem da Calunga de capa e cartola E tridente na mão Esse Exú de fé é quem nos traz Axé e nos dá proteção Ele é Exú Odara e vem nos ajudar Com seu punhal ele fura, ele corta demanda Ele salva, ele cura Exú Amojubá
Laroiê Laroiê Exú, Exú Amojubá Eu perguntei a ele o que é Exú Ele vem me falar
Laroiê Laroiê Exú, Exú Amojubá Eu perguntei a ele o que é Exú Ele vem me falar
Exú é caminho, é energia, é vida, é determinação É cumpridor da Lei, Exú é esperto, Exú é guardião Exú é trabalho, é alegria veloz, Exú é viver É a magia, É o encanto, É o fogo, é o sangue na veia vibrando Exú é prazer
Laroiê Alaruê Exú, Exú Amojubá Traz sua falange Exú Tiriri para trabalhar Laroiê Exú Laroiê Exú, Exú Amojubá Traz sua falange Exú Tiriri para trabalhar
Vem seu Tranca-Ruas, Maria Padilha e Exú Marabô Sete Encruzilhadas, seu Zé Pilintra aqui chegou Maria Mulambo, Maria Farrapo e Dona Figueira Dona Sete Saias, Pombogira menina e Rosa Vermelha Sete Catacumbas, Exú Caveira firmam ponto aqui E o Exú Capa Preta anunciou a festa é do Exú Tiriri
Quem são Maria Padilha e Tranca Rua: Características, Funções e Incorporação
Maria Padilha e Tranca Rua são entidades que fazem muito na vida das pessoas. São entidades com características e histórias distintas, mas muito cultuados, principalmente através de imagens.
Maria Padilha e Tranca Rua são entidades que auxiliam em armadilhas, desobsessões e são entidades iluminadas, que banem o mal, a inveja e a mentira e concedem proteção.
Maria Padilha e Tranca Rua são extremamente respeitados em terreiros, centros, casas e templos de Umbanda, não só pelo carinho que muitos consulentes tem por eles, mas também por tudo que eles representam para a religião umbandista.
Maria Padilha e Tranca Rua são considerados donos de giras, chegam gargalhando, mostrando sua presença e possuem assentamentos em terreiros.
Maria Padilha, incorporada em médiuns, sensualiza ao andar e tem uma figura de cortesã, pois anda com elegância.
Suas roupas são sempre vermelha e preta, utilizando também colares, pulseiras e véu na cabeça. Tranca Rua, em uma incorporação, se movimenta bruscamente, e uma gargalhada rouca erradia indicando a sua presença.
Em terreiros, sempre há um dia em homenagem ao “Seu Exu Tranca Rua”. Ele é dono de gira, como dito anteriormente, e corre giras à mando de Ogum.
Tranca Rua grita e gargalha alto, indicando sua presença e sua força. Ele sempre vem na frente de Maria Padilha.
As vestes do Tranca Rua são um tecido de cor preto reluzente e um chapéu preto. Há um ponto de Tranca Rua que diz assim:
Ele é filho do sol Ele é neto da lua (2x) Quem cometeu as suas faltas Peça perdão a Tranca Rua (2x)
Os pontos de Tranca Rua sempre se referem a sua força, à punição dos seus inimigos, e à abertura de caminhos.
Ele costuma sair repentinamente de seus médiuns. Muitas lendas e histórias são contadas sobre essas entidades, que são consideradas das ruas e estão presentes em muitos templos e tendas.
Maria Padilha, talvez a mais popular das pombas giras, é considerada o espírito de uma mulher muito bonita, branca, sedutora, e que em vida teria sido prostituta grã-fina ou influente cortesã.
Caso você queira saber mais sobre Maria Padilha, a escritora Marlyse Meyer publicou, em 1993, seu interessante livro Maria Padilha e toda a sua quadrilha, contando a história de uma amante de Pedro I (1334-1369), rei de Castela, a qual se chamava Maria Padilha.
Seguindo uma pista da historiadora Laura Mello e Souza (1986), Meyer vasculha o Romancero General de romances castellanos anteriores al siglo XVIII, depois documentos da Inquisição, construindo a trajetória de aventuras e feitiçaria de uma tal dona Maria Padilha e toda a sua quadrilha, de Montalvan a Beja, de Beja a Angola, de Angola a Recife, e de Recife para os terreiros de São Paulo e de todo o Brasil.
Para Maria Padilha, questões de bem e de mal são irrelevantes, como podemos verificar nesse trecho de um de seus pontos cantados:
Ela é Maria Padilha De sandalhinha de pau Ela trabalha para o bem Mas também trabalha para o mal.
É muito frequente, entre os adeptos, atitudes de medo e respeito para com Maria Padilha, mesmo quando dela não se pretende qualquer favor, como podemos comprovar com o seguinte trecho de ponto cantado:
Quem não me respeitar Oi, logo se afunda Eu sou Maria Padilha Dos sete cruzeiros da calunga Quem não gosta de Maria Padilha Tem, tem que se arrebentar Ela é bonita, ela é formosa Oh! bela, vem trabalhar
Assim o é também com o Exu Tranca Rua, que pode gerar todo tipo de obstáculos na vida de uma pessoa, porém, ainda assim, não deixa de ser amigo e protetor.
Maria Padilha e Tranca Rua são considerados um casal de guardiões e, muitas vezes, cultuados e adorados juntos.
Eles estão presentes, pincipalmente, na umbanda e na quimbanda. Maria Padilha é considerada uma dama da madrugada, rainha da encruzilhada, senhora da magia, pomba gira de mistérios ocultos e Tranca Rua também é muito empoderado.
Os pãezinhos de festa cigano são cobertos de azeitonas, queijo feta, ameixas e pimentão e são muito fáceis de fazer, servindo como uma excelente entrada para festas, como o Natal, por exemplo.
Ingredientes:
6 pãezinhos redondos – de sal
2 fatias de queijo feta amassados com o garfo
Ameixas sem caroço – 3 para cada pãozinho – temperadas com azeite, sal e alecrim
1 pimentão vermelho grande cortado em tiras
10 azeitonas pretas picadas
Modo de Preparo:
Refogue o pimentão rapidamente com azeite e as azeitonas e reserve. Achate os pãezinhos com a mão e coloque por cima as ameixas temperadas, o pimentão refogado com as azeitonas e o queijo feta.