Ano: 2023

  • Geléia da Kalinka (Cigana)

    Geléia da Kalinka (Cigana)

    A geleia da kalinka é uma geleia cigana feita de kalina, um fruto vermelho de sabor muito ácido próprio para geleias, mas também pode-se comê-lo in natura, com cautela, pois o fruto é considerado suavemente tóxico, podendo causar vômitos ou diarreias quando ingerido em grandes quantidades.

    Por esse motivo, serve pra limpar os intestinos quando ocorre a dificuldade de evacuar. Os mais antigos, secam a casca e fazem tintura, é um santo remédio para cólicas e dores da menstruação.

    Na Rússia, esse fruto é considerado um símbolo nacional. Kalinka, nome dado à geleia, é o diminutivo carinhoso de Kalina.

    O fruto nasce em um arbusto que leva o mesmo nome do fruto e, conta a lenda que debaixo desse pequeno arbusto se pede um amor, se amamenta um filho, se descansa nos braços da mãe natureza e se pede beleza.

    É a árvore dos apaixonados, que carinhosamente a chamam de Kalinka (PURA). Kalina, nome do fruto, significa “a filha da sorte”.

    Tudo o que se pede a Kalinka é concedido pela Deusa Mãe natureza. Como os Rhomá são apaixonados pela natureza, algumas crianças receberam esse nome.

    Poucos ingredientes são necessários para fazer essa receita, que ainda dá para variar de ingrediente.

    Ingredientes:

    • ½ kg de kalina (viburnum)
    • Suco de ½ limão grande
    • 1 xícara (chá) de açúcar
    • 4 colheres (sopa) de vodka (opcional)
    • 1 pitada de sal

    Modo de Preparo:

    Coloque a kalina em uma travessa e amasse-a com um socador. Vá colocando o suco de limão e o açúcar. Nesse momento, você pode acrescentar a vodka.

    Misture e leve ao fogo. Mexa sempre com uma colher de pau. Quando ferver, abaixe o fogo e fique de olho, coloque a pitada de sal e deixe cozinhando até virar uma pasta.

    Não se esqueça de que a geléia engrossa depois de fria. O ideal é fazê-la em tacho de cobre. Espere esfriar e coloque em potes de vidro.

    Variação:

    Você pode fazer a mesma receita com framboesa. Assim, ela pode servir de geleia, recheio de tortas e de bolos, ser batida com creme de leite e leite condensado pra fazer mousse ou como calda quente de vinho para acompanhar sorvete de creme.

  • Sopa de Tomate Cigana

    Sopa de Tomate Cigana

    A sopa de tomate cigana à seguir é uma sopa que necessita de tomates grandes e suculentos, no entanto é muito fácil de fazer.

    E cai muito bem com pedaços de pão e queijo derretido.

    Ingredientes:

    • 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
    • 1 xícara (café) de azeite ou óleo de girassol
    • 6 tomates grandes e suculentos picados
    • 50 gramas de manteiga
    • 1 copo de leite
    • Sal à gosto
    • Cominho à gosto

    Modo de Preparo:

    Em uma panela, frite a farinha com o azeite ou o óleo de girassol. Coloque os tomates e mexa um pouco. Adicione um pouco de água fria e o leite mexendo sem parar (se precisar, pode colocar mais água, ela é colocada à gosto da pessoa, alguns gostam da sopa bem grossa, outros mais mole).

    Ponha o sal e o cominho e deixe cozinhar até levantar à fervura. Assim que ferver, desligue o fogo. Em uma frigideira, derreta a manteiga até dourar e adicione por cima da sopa.

  • Sopa de Lentilha Vermelha Cigana

    Sopa de Lentilha Vermelha Cigana

    A sopa de lentilha vermelha cigana é uma sopa de origem turca que possui muitos nomes e muitas formas de fazer, mas são sempre de um sabor apurado e bem peculiar ao ingrediente que se deseja usar.

    É mais comum nas casas ciganas da Turquia, sendo conhecida lá como Mercimek Çorbas.

    Ingredientes:

    • 200 gramas de lentilha vermelha
    • ½ cebola ralada ou bem picadinha
    • 5 copos de água
    • 1 colher (sopa) de manteiga
    • 1 colher (sopa) de farinha de trigo
    • 1 colher (sopa) de hortelã picadinha
    • 1 limão
    • Sal, azeite e pimenta calabresa a gosto

    Modo de Preparo:

    Lave as lentilhas e coloque na panela. Adicione a cebola, a hortelã picada e 4 copos de água. Deixe cozinhar até as lentilhas dissolverem.

    Bata no liquidificador para ficarem em forma de creme. Frite a farinha na margarina derretida e adicione um copo de água, mexendo sempre pra não criar bolinhos.

    Quando estiver pronto, acrescente o creme da lentilha e o sal. Numa frigideira pequena, esquente um pouco de azeite com a pimenta calabresa.

    Regue por cima da sopa junto com gotas de limão.

  • Os Benefícios dos Alimentos Segundo o Povo Cigano

    Os Benefícios dos Alimentos Segundo o Povo Cigano

    Na cozinha romani, ou na cozinha cigana, tudo tem um significado ou um simbolismo. Cozinhar para o povo cigano não é algo banal como para outros tantos povos.

    O fogo, por exemplo, usado e crucial para cozinhar não é apenas fogo. É o calor da vida que transforma os alimentos.

    A terra é a vida que nos dá todos os alimentos e temperos. A água não somente limpa como também transforma os alimentos, e o ar é o perfume que desprende dos alimentos.

    Por aí, vemos que os quatro elementos são bem reconhecidos pelo povo cigano na cozinha, mas não só dessa magia vive a cozinha romani.

    A fé também está na culinária cigana, onde se cozinha rezando e abençoando, pedindo à Santa Sara Kali o sustento para o corpo e para a alma, junto com Aquele que tudo provê.

    A cozinha para o povo cigano também é lugar de dar graças, principalmente pelo pão da vida. E cada alimento possui seu benefício…

    Alimentos que nos protegem e guardam nossa saúde: açafrão, alho, alecrim, batata, cebola, louro, menta, erva cidreira, salsa e erva doce.

    Alimentos que nos trazem fertilidade: arroz, cenoura, gergelim, canela, laranja, alcaparras, trigo, coentro, cravo da índia, manjerona e uva.

    Alimentos que nos trazem prosperidade: amêndoa, arroz, camomila, canela, erva cidreira, ervilha, sálvia, gergelim, laranja, feijão, lentilha, noz moscada, romã, trigo, salsa, uva e fruta de conde.

    Alimentos para manter a felicidade e o amor: alcaparras, beterraba, cereja, canela, chuchu, erva cidreira, ervilha, maçã, manjerona, maracujá, morango, pêra e morango.

    A noz moscada nos dá sorte; a sálvia, sabedoria; a uva mantêm a amizade e a erva cidreira, o amor. O sal nos diz todos os dias o quão amargo foi o passado e nos dá o equilíbrio dos dias atuais.

    Alimentos que nos trazem a paz e a harmonia: mel, orégano, manjerona, cominho, canela, erva doce, cravo da índia, alecrim, mostarda e aveia.

    A farinha do pão (trigo) e o azeite são muito antigos – eles derivam da transformação do sofrimento em alimento e da consagração e purificação do azeite, como puro, que aquece, alimenta e unge um povo, antes e depois da morte ou rito de passagem.

    Alimentos que equilibram o corpo: cebolinha, aveia, limão, uva, vinagre, mel, milho, tomate e café.

    É por todos esses benefícios que a cada lugar que uma caravana cigana chegava ou chega há o respeito a cada região, o que cada tempo, solo e ares podiam e podem reproduzir, a comida do dia vinda de uma natureza sempre generosa.

    Para o povo cigano não há o correto ou errado na alimentação, há o simples, o respeito pela natureza, ter o que preparar para levar a boca, o que só quem passou pela fome sabe o que significa essas palavras.